Rendo-me...

Nada nunca foi tão visceral como esta sensação de perda total de controlo. Dificuldades umas atrás das outras e o peso do mundo no meu corpo. O corpo cedeu... dói... contorceu...
Como é possível viver a querer que tudo se equilíbre e harmonize... e pouco a pouco tudo se desintegra uma e outra vez...
Tenho a dor na alma...
Tenho a injustiça do tamanho do mundo...
Mas eu ja percebi...
Aquele que me sustenta quer que liberte... e siga um fluxo de imprevisto.
Quer que caminhe a escuridão de olhos vendados.
Dói na alma.
Dá medo.
Porque tem tudo de ser difícil ou complicado?
Que parte do destino assinei sem ver?
Ja fui em tempos a guerreira. A que levou tudo pelo caminho sem olhar para traz. Hoje estou diferente... afasto-me de guerras e pesos que nao são meus de pegar.
Permito-me a ser vulnerável.
E o bom de soltar os pesos... é que me torno livre e liberta.
Então que tudo aquilo que não é divino... o vento leve.
Que tudo o que me faz mal; o fogo queime.
Que as minhas águas acalmem e apenas o amor fique.
Em modo livre... rendo-me...
Que o divino suporte o que não consigo suportar.
Mónica Lopes

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