Colapso...

Reaprender a viver após o caos é desafiante. Habitam me destroços do que fui... no peito um buraco negro... na alma uma névoa.
Existem recursos internos perdidos na minha essência. Como acedo não sei...
Como se recorda do caminho para casa, quando a casa que somos ja não é mais a mesma?
Tenho tantas questões...
Como se volta a sentir a alegria de viver?
Na verdade voltar ao velho formato não pode ser bom... foram esses caminhos que me levaram ao colapso. Não posso repetir... nao posso me esquecer de sentir o corpo e saber quando parar... Não devo priorizar o cuidado com o outro, se os meus recursos estão esgotados.
Quem colapsa, não é fraco...
Quem colapsou foi super pessoa muito tempo. E é esta exigência interna, que nos faz acreditar que o limite não existe. Não viemos ser super humanos... Não viemos ser perfeitos... e então o que somos?
Somos feitos de pó de estrelas... somos luz e sombra... a essência da imperfeição torna-nos humanos. E isso é tão belo e libertador...
Então se calhar é isto... é a aceitação que me retorna à essência. Nunca perdi nada então ... é apenas um delinear novo. Um novo formato onde ganhei um novo par de asas.
Ainda me estou a descobrir... Mas na verdade não estamos todos?...
Mónica Lopes

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