Morri...

Que tenhamos sempre clareza, para ver além das nossas ilusões...
Que tenhamos discernimento para saber distinguir...
Faz exactamente dois anos que morri. Tive de soltar pessoas, coisas, lugares, sonhos e expectativas que tinha. Foi um rasgar das minhas próprias ilusões...
A vida tem disto... ora estamos bem... ora vira tudo do avesso. Levando-nos a enfrentar processos dolorosos, que nos rasgam a alma... a deixar crenças e abrir mão de sonhos.
No meio do caos, abanam as nossas estruturas internas... estarei segura?
Dúvidas...
Medos...
E a tristeza de vários lutos forçados.
A dor apunha-la os pulmões, ao ponto de doer respirar.
Atravessei mais uma noite escura da alma e percebi que o Universo nunca me abandona... porém eu o abandono quando desacredito e por momentos penso que se esqueceu que sou sua filha...
É quando o velho se vai... que entra o novo.
Eis me aqui do outro lado do caos... inteira, viva e rodeada do novo.
Estenderam-me a mão e pela primeira vez fui cuidada com respeito, amor e noção que somos todos humanos.
Saber receber é tão desafiante, principalmente quando vivemos a vida na instabilidade e hiper-independencia...
Ainda luto comigo e com os outros... mas aprendi a não desistir... de mim... e da vida...
Mónica Lopes

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